
Lembro que foi uma verdadeira bosta! Tocamos "Heaven's Door" na versão do Guns, todos os outros clichês com três acordes possíveis na música popular do mundo inteiro e mais duas autorais: "Show da Vida" (uma música meio U2 com bronquite) e Sangue Verde-Amarelo (canção surpreendentemente boa para a nossa capacidade da época). Apesar da falta de apuro musical (exceção feita para o nosso amigo guitarrista hoje Mister Olímpia mas na época macarrão com pernas, que já em idade prematura era um gênio! Podia ter sido um novo Dimebag o amigo Piá!) nos divertimos à beça incomodamos a vizinha que, como não tinha telefone na casa, ficou ligando freneticamente para a imobiliária que estava vendendo a casa, hahahahah, e saímos felizes; objetivo conquistado. Lembro que o Filipe, irmão do Piá, na época também magrelo apesar de hoje ser bem gigantesco também, saiu como espectador entusiasmado da bagunça, com um sorriso no rosto e bastante esperança: "para um primeiro ensaio, está ótimo". hahahaha. Lembro que o Felipe até cantou um Metálica pela metade, desafinando as notas mas imbuído de enorme destreza e interpretação.
São muitas as lembranças daquele primeiro ensaio: o Beiça saiu deprimido porque o Caverna fez um monte de piadas acerca de como odiava solos de baixo, aquele jeito sutil de sacanear as pessoas que o atual gênio da mecânica sempre teve; Piá ficou zoando a casa do meu pai, falando que tinha fungos na piscina e que dava para fazer safari no mato alto do quintal; meu pai deu carona para todo mundo no Pointer prateado que ele tinha na época; entre outros detalhes que não valem o tempo de vocês, caros leitores.
Muito tempo passou desde aquele dia (que na verdade não foi a exatamente doze anos atrás porque a sexta de carnaval de então caiu em primeiro de março, mas sempre conto nas sextas de carnaval). Na época, confesso que tinha ambições bem maiores para como eu estaria doze anos depois no ramo musical. Pensava virar Rockstar e dar entrevistas em um prazo de poucos anos; apareceria no Jô Soares, teria que cair no dilema entre meus princípios como músico e me apresentar no Faustão, tocaria no Rock in Rio, entre outras coisas. Contudo, nem naquela época, jamais pensei que depois de doze anos ainda estaria à frente da Metrópole! Palavra! E tocando guitarra então.....hahahah.....nem se fala...... Sim, muita coisa deu errado. Deu mesmo. Mesmo assim tenho muito orgulho desta trajetória, da raça que tivemos, eu e Caverna, para seguir em frente e tocar o barco; dos shows memoráveis que emocionaram as pessoas; da quantidade de amigos que conhecemos nas empreitadas e que tocaram com a gente neste caminho; das viagens em vans e ônibus quebrados; das composições, dos parceiros; e, principalmente da evolução e do aprendizado que a vida nos trouxe. Dedico este post a todos os Metropoleiros que participaram desta banda nesta jornada de altos e baixos; aos amigos que compareceram aos nosso shows; aos admiradores de nossa música; às namoradas e ex-namoradas que nos deram força; e aos pais e mães e familiares que nos deram carona e mesada quando precisou, além de apoio inestimável.
Um abraço a todos!
